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maio 01, 2007
MARKETING POLÍTICO 7
Texto de slides passados nas aulas
Marketing político
Marketing eleitoral
“Política é 1% de ideias claras, 1% de vontade firme
e 98% de gestão
e administração.”
( frase de um grande político brasileiro, citada por Sousa Franco num artigo da Revista “Visão” de Junho de 2001)
1 - Considerações
“Marketing é mais do que tácticas e “joguinhos”. Marketing é fundamentalmente estratégia, definida com antecedência por especialistas que analisam as pesquisas, estudam o quadro político, pesam virtudes e defeitos dos adversários, informam-se sobre as características do eleitorado e assim por diante.” – Rubens Figueiredo.
Segundo Philip Kotler marketing é “a actividade humana dirigida à satisfação das necessidades e desejos através de um processo de troca”.
Em marketing político, a comunicação é como uma droga. Em doses adequadas é medicamento, em doses elevadas é veneno fatal. É necessário comunicar, mas pior do que não fazer publicidade é fazê-la em demasia. Falar constantemente banaliza a imagem do político.
É preciso saber o momento certo e falar com muita moderação. O segredo da boa comunicação está em perceber quando se deve intervir e quando se deve SILENCIAR.
2 - O Mix de MKT em Marketing Político Marketing Comercial = Persuasão para tornar necessário aquilo que não é tão necessário ao comprador ?????
Marketing Político = Persuasão para fazer o cliente aderir e fazer suas idéias e programas que, em rigor, não são seus.
Estratégia de Produto
Em Marketing, a palavra produto significa mais do que bem, serviço ou idéia.
O produto é algo que pode ser oferecido a um mercado para sua apreciação, aquisição, uso ou consumo para satisfazer um desejo ou necessidade.
O valor de um produto está na capacidade que ele tem de ajudar a satisfazer as necessidades do consumidor/cliente. As pessoas não pensam somente no produto, mas também na satisfação que ele oferece.
Bruce Newman (prof de Mkt em Kellsatdt Graduate School os Business em DePaul University e iniciador da aplicação das técnicas do MKt na política) recusa o “mito” segundo o qual um político é um simples produto comparável a um sabonete.
Um candidato é um prestador de serviço que vende um pruduto: o seu PROGRAMA.
Estratégia de Preço
Preço é o valor justo pago pela posse de um bem ou serviço.
No Marketing Político o Preço é o VOTO.
Os eleitores “compram” um programa político através do “voto”.
Um dos muitos factores que influenciam a estratégia de preço criada pelo profissional de Marketing é a competitividade e dentro do contexto político, o candidato precisa de procurar as melhores propostas para agradar ao eleitor e ultrapassar a concorrência.
Estratégia de Distribuição
Os profissionais de Marketing desenvolvem estratégias de distribuição para assegurar que os seus produtos estejam disponíveis nas quantidades apropriadas nos lugares e momentos certos.
A distribuição envolve toda a actividade que visa conduzir fisicamente o produto do fabricante até ao consumidor final. É necessário criar e utilizar os canais de distribuição que definem o caminho que o produto irá percorrer até o seu destino final.
No Marketing Político, a distribuição é feita através dos meios de comunicação como revistas, jornais, folhetos informativos, televisão, internet, entre outros, para que a imagem do candidato e suas propostas cheguem em tempo útil ao consumidor.
Estratégia de Comunicação
Comunicação é o elo entre vendedores e compradores. A mensagem pode ser comunicada directamente pelo pessoal de vendas ou indirectamente por meio de anúncios e promoções de vendas.
O mix da comunicação compreende:
A promoção de vendas que consiste num conjunto diversificado de ferramentas de incentivo de curto prazo que visa estimular a compra ou venda de um produto ou serviço.
A publicidade, que são estímulos para criar a procura de um produto através de meios de comunicação. Essa estratégia é muito utilizada, pois coloca o objecto a ser divulgado, em todos os lugares, (nas casas através da televisão / rádio / Internet) ou nas ruas através de outdoor, painéis, dentre outros.
As Relações Públicas, que são um processo de informação, de conhecimento e de educação com fim social, utilizam técnicas para conseguir a boa vontade e a cooperação de pessoas das quais uma entidade interage ou depende.
No Marketing Político, a comunicação varia entre acções sociais executadas pelo candidato ou partido, assim como, a divulgação dessas atitudes através da propaganda, publicidade, relações públicas e merchandising.
3 - Maquiavel e a conquista do poder
O Príncipe = Um manual de conquista e manutenção do poder escrito em 1513, dedicado a Lorenzo II, duque de Urbino.
Virtú = Virtude; qualidade.
Fortuna = Fortuna; sorte.
4 - Génese moderna do Marketing Político
General Eisenhover. 1952. Contractou uma agência de publicidade.
Acusado de se “tentar vender como se vende um sabonete.”
Debate Kennedy X Nixon. 1960.
Getúlio Vargas e a rádio.
5 - Duas ciências
Comunicação (Social) = Estudo das técnicas de persuasão para melhor estabelecer o diálogo entre emissor e receptor.
Ciência Política = “Estudo dos fenómenos e das estruturas políticas, conduzido sistematicamente e com rigor, apoiado num amplo e cuidadoso exame dos factos expostos com argumentos racionais.” Noberto Bobbio. Dicionário de Política.
6 - Onde o voto é Marketing
O voto é influenciado por três componentes distintas:
1) ideológica - influencia apenas uma pequena parcela dos eleitores. O discurso de esquerda, de direita, do socialismo ou liberalismo afecta pouco mais de 5% do eleitorado
2) política – assenta, de forma directa, numa relação pessoal entre candidato e eleitor. Em cidades pequenas esse factor é grande e chega a 80% da motivação dos votos.
3) eleitoral - representa o esforço concentrado de conquista do eleitor; é o campo de actuação do marketing político. A sua influência cresce com o tamanho do universo eleitoral. Chega a atingir 70% das decisões de voto.
7 - Marketing Político e Marketing Eleitoral
O marketing político está relacionado com a formação da imagem a longo prazo. É utilizado por pessoas e políticos que desejam projectar-se publicamente.
O marketing eleitoral é de curto prazo. As estratégias e as tácticas de comunicação são estruturadas sobre “um ambiente vivo”, já existente, em andamento, e não em um ambiente criado.
O Mercado eleitoral competitivo
O mercado eleitoral competitivo é composto por dois agentes básicos: candidato e eleitores. O candidato deseja do eleitor informação e voto. Informação para poder criar programas de actuação política e o voto para chegar ao poder e desenvolver o seu programa.
Por outro lado o eleitor deseja do candidato uma boa comunicação e o cumprimento das promessas e dos favores.
O Eleitor
Um dos problemas mais clássicos da Ciência Política é estudar e determinar o padrão de comportamento dos eleitores. Como pensa e decide o seu voto? Existe algum motivo para a escolha do seu candidato? quais os aspectos que padronizam essa escolha?
Estudos realizados sobre o comportamento do eleitor, permitiram definir três leis fundamentais de posicionamento do eleitor:
A) Lei da Indiferença: Onde o eleitor, quando entra na cabine eleitoral põe fim a um difícil processo de tomada de decisão. Nesse momento lembra-se de personalidades de forte presença na sua memória menos nos candidatos, porque para ele, é tudo igual; é indiferente votar neste ou naquele candidato.
Lei da Procrastinação: Representa o máximo adiamento. O eleitor adia, sempre que puder, a sua decisão de voto para o período mais próximo possível da eleição. Cerca de 90% das pessoas ao dirigir-se à cabine eleitoral, já tem o seu candidato consolidado, mas 10% ainda entra para votar, com muitas dúvidas; são os procrastinadores e esses podem decidir uma campanha mais acirrada.
Lei da efemeridade: As ideias e aspirações da sociedade obedecem a um ciclo de vida determinado (corrupção, ecologia, violência, etc...). A lei da efemeridade trata dos ciclos das ideias e aspirações: onde nascem, crescem, se desenvolvem, se desgastam e desaparecem. Um candidato começar a defender uma causa ou uma idéia -
por exemplo a Constituição Europeia - num momento em que o mundo inteiro não fala a não ser na crise financeira, numa guerra mundial …., porque essas são as preocupações prementes, é aderir a uma moda que aos olhos do eleitor já está ultrapassada, porque o mundo está preocupado neste momento é com o combate à violência.
O Candidato
O candidato é o elo de ligação entre as causas públicas e o eleitor. É a primeira vitrine dos partidos, das ideologias, das estratégias de marketing e de seus ideais. O candidato é o conteúdo, é um contexto amplo entre partido, ideologia, vida e sua participação na vida social.
Os factores que valorizam um candidato são:
Potencial próprio: a sua capacidade de liderança, capacidade de comunicação, clareza discursiva, sedução, carisma...
Factores internos de pressão: Grupo político (partido ou facção) e grupo de financiamento
Factores externos de pressão: Eleitores e adversários...
8 - Pesquisas Eleitorais
Importância das pesquisas
A campanha começa, obrigatoriamente, com uma boa pesquisa, pois é a partir dela que o marketeer e o candidato vão poder definir estratégias, programas, linhas de acção, etc.
Isso acontece porque só a partir de uma boa pesquisa é possível conhecer com precisão o perfil do público alvo, ou seja, do eleitor.
“As pesquisas são uma espécie de milagre que fazem mil pessoas falar por milhões.” – Alberto Carlos de Almeida. Como são Feitas as Pesquisas Eleitorais e de Opinião Pública. FGV. 2003.
A frase de Maquiavel “ a realidade é como é, não como gostaríamos que ela fosse” resume muito bem a importância da pesquisa na vida do candidato e mais ainda na vida do eleitor.
As pesquisas permitem fazer vários tipos de levantamento para avaliação do eleitorado:
As pesquisas de opinião procuram medir o conhecimento da população sobre determinados assuntos como ecologia, privatização, economia, política, área social ...
Tipos de pesquisa
Pesquisa quantitativa = conhecer e quantificar preferências, aspirações, desejos de um determinado grupo de pessoas.
Pesquisa qualitativa = conhecer profundamente o pensamento de uma parcela da sociedade.
As pesquisas de desempenho administrativo levantam os principais problemas da população, avaliam o desempenho dos governantes, aferem a imagem administrativa, o grau de conhecimento dos projectos e das obras realizadas e o grau de satisfação com os serviços públicos.
Já as pesquisas eleitorais, por sua vez, procuram detectar as intenções de voto do eleitor a cada momento, aferindo o potencial de adesão ou rejeicção a cada candidato.
Os factores de maior relevância em uma pesquisa são: a imagem do candidato, a sua trajectória política, carisma e empatia com o eleitor, programa de governo, principal meta de governo, a sua profissão, o seu partido político, apoiantes e o grupo social em que está inserido ou se identifica.
Nas eleições, como na guerra, grande parte das batalhas é decidida em tempo de paz. A preparação da campanha inicia-se com a avaliação do eleitorado, do potencial próprio do candidato e de seus prováveis adversários.
9 - Influência partidária
O partido serve como marco de apresentação ideológica do candidato.
A orientação da escolha partidária passa por critérios ideológicos, mas também eleitorais.
A busca do controle partidário, mesmo a nível local, é que, em parte, gera o personalismo.
10 - Estratégias Eleitorais
O que é estratégia?
“Arte de coordenar a acção das forças militares, políticas, económicas e morais implicadas na condução de um conflito ou na preparação da defesa de uma nação ou comunidade de nações. Por extensão de sentido, arte de aplicar com eficácia os recursos de que se dispõe ou de explorar as condições favoráveis de que porventura se desfrute, visando o alcance de determinados objectivos.” Termo militar de origem grega datado de 1836.
Objectivo de uma campanha
A campanha política, do ponto de vista estratégico, pode ter dois objetivos:
1 - Conquistar um cargo electivo ou
2 - Ocupar um espaço político.
1 - Para a conquista de cargos é necessário pautar a estratégia baseando-se em informações como: número de votos necessários, que nichos eleitorais o candidato tem, que nichos podem ser conquistados, de que forma o partido pode participar, que coligações serão mais favoráveis, …..
2 - Para a conquista de um espaço político, basta observar as características primárias de tal espaço e de que maneira se pode atender aos anseios daquela comunidade específica.
Escolha de um tema
Plataforma é o conjunto de idéias, críticas, propostas e posições assumidas por um candidato. (...) Sua importância pode ser verificada por meio de três motivos básicos:
1) é o principal factor de formação da imagem do candidato (...);
2) caracteriza e dá personalidade a uma campanha, distinguindo-a das demais;
3) representa o compromisso que o candidato assume com os eleitores. (Ronald A. Kuntz)
Escolha de um tema
O tema deve traduzir a plataforma e atender as necessidades mais fundamentais para a comunidade: Violência, emprego, saneamento, etc.
Programação visual
Simples, objectiva e comunicativa.
Visualmente bonita e alegre.
O instante da campanha é um momento de intensa poluição visual. E a sua programação deve obrigatoriamente ganhar destaque.
Por fim, deve ser marcada pelo perfil do candidato.
Não existe uma estratégia formada que possa ser aplicada em todas as campanhas.
A estratégia deve nascer das informações coligidas sobre as necessidades do momento.
Naturalmente que algumas acções são indispensáveis, como caminhadas, comícios, etc, mas elas não podem ser o cerne da campanha.
O importante é criar factos políticos quase diários que salientem o perfil da campanha e do candidato
Princípios estratégicos
1) Manter sempre um trunfo contra os adversários e saber quando deve ser accionado;
2) Conhecer o que pensa o eleitor antes de partir para a campanha;
3) A melhor forma de conquistar a mente do eleitor é ser o primeiro a chegar;
4) Não basta ter o perfil desejado pela população, é preciso associar a sua imagem a esse perfil antes dos adversários;
5) Trabalhar na linha de menor resistência ao posicionamento na mente do eleitor;
6) Procurar maximizar os pontos favoráveis e minimizar as falhas, se possível convertendo-as em virtudes;
7) Procurar antecipar o ciclo de idéias e aspirações que predominará no momento da eleição;
8) O eleitor associará sempre o candidato a continuidade ou mudança. É preciso saber compatibilizar a imagem com a tendência predominante, respeitando os limites impostos pela sua personalidade;
9) Concentrar o discurso na valorização e unidade do partido;
10) Concentrar forças no seu principal inimigo, não dispersando para todos os adversários;
11) Procurar sempre antecipar-se aos movimentos dos adversários que possam ameaçar a sua posição antes que seja preciso reagir;
12) Confirmar os defeitos do inimigo junto ao eleitorado e “atacar” nesse ponto;
13) Procurar demonstrar incoerência entre o discurso do candidato e o seu passado;
14) Utilizar a força de liderança para eliminar as possibilidades de reacção do adversário;
15) Redireccionar forças para os segmentos que apresentam maior potencial de votos;
16) Se a polarização é inevitável, é preciso tentar levar o adversário para o campo que lhe seja mais favorável;
Fonte: Livro “VOTO É MARKETING, O RESTO É POLÍTICA” (Jacques Seqüela) Edições Loyola
11 - Assessoria de Imprensa Relação com a imprensa
A imprensa ajuda a fixar a imagem do candidato.
O trabalho do jornalista é informar e analisar as actividades políticas de uma comunidade, o que faz dele um formador de opinião.
Por vezes a pressa ou a “glória do furo” leva - o a publicar informações equívocas.
Os jornalistas são movidos pela informação ou pelo dinheiro. “O maior erro de um político é oferecer dinheiro a quem quer informação ou informação a quem quer dinheiro.” Frase atribuída ao senador António Carlos Magalhães.
É preciso fornecer informação segura, clara e elaborada por uma assessoria de imprensa, evitar envolver-se ou responder aos boatos e estar disposto a repetir o mesmo discurso várias vezes por dia.
“Na medida em que você estabelece canais de comunicação entre o candidato e a imprensa, o que você quer é passar para a sociedade informações mais precisas sobre o candidato. E qual é o interesse da sociedade? É que ela vai ter que decidir se vota nele ou não.” Carlos Brickmann. A Conquista do Voto,
O assessor de imprensa deve ser a principal fonte dos acontecimentos da campanha.
Acompanhar o candidato e ver as actividades de campanha como acontecimentos mais jornalísticos que políticos.
Ter boas relações com a imprensa local, sobretudo com os colunistas.
Não sonegar informação para ninguém, mesmo para jornalistas claramente adversários.
Toda a campanha tem um grande número de factos que podem resultar em notícia de interesse para a população, mas os jornalistas perdem tempo repercutindo as actividades do adversário.
Fomentar nos profissionais o interesse pelos factos que estão a acontecer à sua volta.
Preparar, sempre que possível, kits de imprensa. Com isso já se consegue direccionar a atenção do profissional.
Dar clareza às informações para não deixar confundir elogio com crítica.
Não confundir boato com informação.
Qualquer guerra com a imprensa pode ser uma guerra perdida.
Não é prudente o candidato demonstrar irritação com as notícias veiculadas.
É preciso que o candidato esteja muito bem informado sobre os assuntos discutidos pela imprensa.
À assessoria de imprensa cabe fazer um clipping diário, inclusive criando respostas criativas para as perguntas que certamente serão feitas ao candidato.
O candidato não é obrigado a saber profundamente de tudo, mas deve estar preparado para responder às questões em causa.
12 - Programa Eleitoral Gratuito Visibilidade e diferencial
A vitória de uma campanha eleitoral começa na boa exposição do candidato.
O caminho mais seguro de destaque dentro de um momento de campanha política é mesmo uma publicidade eficiente e destacada.
De início é preciso encontrar um diferencial para a campanha.
Depois é preciso dar visibilidade a este diferencial.
O programa eleitoral ocupa espaço nos dois maiores veículos de comunicação de massa: o rádio e a TV.
É importante lembrar a força do rádio porque chega às pessoas que estão ocupadas em outras actividades. Por isso não funciona usar o áudio produzido para a TV no rádio.
A TV, por outro lado, é hoje ameaçada pela programação das emissoras a cabo.
A produção dos programas deve transmitir as propostas do candidato de maneira emocional e com uma estética do agrado médio do eleitor.
13 - A Campanha na Rua
A eleição de um candidato depende da incorporação das suas teses pela comunidade que ele tenciona representar.
Quanto maior a identificação entre as propostas do candidato e as necessidades do cidadão, maiores as hipóteses de vitória.
Mobilização popular
“As tendências agregadas à opinião pública, muitas vezes, permanecem longos períodos inactivas e latentes no seio da consciência coletiva, dificilmente detectável pelas pesquisas, até que um dia um factor externo detone a sua espoleta e esta se revele explosivamente, avassaladora, influindo por tempo interminável junto às massas, para depois refluir ao seu leito natural, aparentemente desaparecendo, dando lugar a novas tendências.. Marketing Político – Manual de Campanha Eleitoral.
Entretanto é preciso que o eleitor conheça as propostas e intenções do candidato.
A campanha precisa ganhar as ruas com acções pontuais de divulgação e de empolgação da comunidade. É a isto que se chama “corpo-a-corpo” da campanha.
“Isso acontece quando o factor externo viabiliza e instrumentaliza anseios, aspirações que já habitavam o subconsciente das pessoas e que lá permaneciam ocultos por não existirem perspectivas e ambiente próprio que os tornasse factuais ou concretizáveis na consciência coletiva.” – Ronald A. Kuntz
Comícios e caminhadas
São as formas mais tradicionais de divulgação política.
Por serem momentos de intensa exposição do candidato, deixando-o sujeito a todos os tipos de provocações, precisam ser programados em todos os seus detalhes.
Qualquer desastre em um evento como este reflectir – se - á na campanha como um todo.
Comícios e caminhadas em áreas hostis ao candidato podem ser vistos como provocação.
Para minorar problemas como estes tais eventos devem ser acompanhados por lideranças locais.
14 - Debate Eleitoral
O debate democrático
O debate eleitoral ganha importância a partir da eleição presidencial americana disputada entre Nixon e Kennedy.
Este debate, transmitido simultâneamente pelo rádio e pela televisão, teria sido fundamental para a vitória de Kennedy.
Pesquisas realizadas após o debate revelaram que os ouvintes deram a vitória a Nixon, enquanto os telespectadores deram a vitória a Kennedy.
Kennedy, embora tivesse propostas menos consistentes que Nixon, tinha uma melhor apresentação televisiva.
É o início do mito de que a política se faz com imagem.
Ir ou não ir?
“Se o debate então não tem o poder que muitas vezes a ele é atribuído, seria igualmente um erro considerar que o debate não tem importância. Embora possa não ter toda a importância que se supõe, ele tem muita importância, sobretudo para eleitores indecisos e, acima de tudo, quando um candidato se sái mal, é posto numa situação ridícula ou comete uma ‘gafe’.”
“No debate, a ‘majestade’ do cargo perde -se, o candidato que é uma autoridade fica nivelado com os outros, e esta situação não só lhe é psicologicamente penosa, como também politicamente perigosa, ao evidenciar que, pelo menos no debate, os outros são iguais a ele.”
Francisco Ferraz. Manual Completo de Campanha Eleitoral.
Regras
Todo o debate é previamente regulamentado numa reunião entre a emissora e os assessores dos candidatos.
Consta que os assessores de Kennedy negociaram regras que colocariam Nixon em condições desfavoráveis. A intensidade da iluminação foi uma dessas regras, pois evidenciou a facilidade que o candidato tinha para suar.
Negociar bem, favorecendo o seu candidato, deve ser a primeira preocupação de uma assessoria.
Deve-se evitar situações desconfortáveis ao candidato.
Como preparar o candidato
A assessoria deve simular uma espécie de debate com o candidato.
Neste ensáio devem ser levantadas todas as questões, sobretudo as polémicas.
As respostas do candidato devem ser corrigidas neste momento, mas de uma maneira que não tire a naturalidade.
As informações devem ser completas, mas também bem redigidas para não confundir o próprio candidato.
Reforçar as propostas apresentadas durante a campanha.
Conhecer em profundidade o opositor.
Como perguntar
Procurar restringir - se aos temas da campanha.
Uma boa táctica é desqualificar o opositor com perguntas específicas sobre as atribuições do cargo em disputa. Mas este mecanismo só deve ser usado quando se tiver certeza da não preparação do opositor.
Ser claro e directo nas perguntas, evitando que o opositor encontre maneiras de despistar ou fugir do assunto.
É melhor ser –se alvo das perguntas do que perguntar.
Prevenir surpresas
Questionado, não mentir de maneira nenhuma, pois o opositor pode quer armar uma situação embaraçosa.
Dirigir-se ao público, começando na ofensiva, surpreende o adversário e evita polemizar com o moderador.
15 - Campanha Permanente
– Marketing Governamental
Pode ser definido como o marketing da manutenção do poder.
Há uma diferença fundamental do MP. Enquanto este procura conquistar o poder, o MG procura a sua manutenção.As suas estratégias, embora muito próximas, mantêm peculiaridades.
– A principal preocupação do MG é dar uma visibilidade clara, objectiva e honesta às acções governamentais. Além, claro, de responder rapidamente aos anseios da comunidade.
–
– A Imagem
– A sociedade moderna, em parte, pauta - se pela imagem, que pode ser definida como a apresentação externa de uma pessoa ou uma empresa.
– Sobretudo para o político, é fundamental ter sua imagem muito bem difundida dentro da comunidade onde actua.
– Existem, basicamente, duas imagens políticas: a seriedade e o folclore.
– O ideal é ter uma exposição doseada da imagem pública, para que ela nem caia no ridículo nem transmita cansaço ao público.
–
Campanha Permanente e o Público Alvo
– Campanha permanente é a utilização das técnicas de divulgação de massa para salientar as qualidades de um governo ou de um mandato parlamentar.
– O primeiro passo desta acção, mesmo antes das pesquisas de opinião, é fazer um trabalho de conhecimento do público alvo.
A campanha permanente em acção requer uma equipa com profissionais altamente competentes. A comunicação funciona como a outra ponta do processo de marketing permanente. Um problema resolvido não apresenta muito benefício para a imagem do político, se não for adequadamente divulgado. Se o político não comunica, em determinadas ocasiões, deixa espaço para o crescimento da oposição, bem como, para
versões distorcidas dos seus opositores.
– O público é um ente diversificado que engloba toda a comunidade, dos eleitores aos formadores de opinião.
– Em política é praticamente impossível conseguir uma unanimidade. Daí vem a necessidade de se seleccionar o público alvo.
16 - Como Lidar com o Público
Respeito pelo eleitor potencial, mas também pelos eventuais adversários.
A assessoria deve ser montada para dar respostas rápidas a todas as questões da sociedade.
O Público espera
O público pretende
– encontrar o caminho mais curto para resolver o seu problema;
– saber quem e como pode resolver de forma total o seu problema;
– receber não apenas uma resposta simpática, mas uma solução eficaz e sem ambiguidades.
– Ser reconheçido como a razão de ser do assessor de co,unicação;
– que não o façam esperar escusadamente;
O Público exige
- que as formalidades se simplifiquem ao máximo
– que não o façam perder tempo;
– que lhe prestem toda a atenção.
Quem contacta o público tem que
- saber ouvir ;
- estar disponível para acolher a mensagem sem a reduzir a preconceitos;
- não deformar a mensagem pelo modelo das próprias ideias;
- não se envolver nos estados emocionais do interlocutor.
– pronunciar as palavras correcta e claramente;
– falar no tom, na entoação e no volume certos;
– concentrar-se na mensagem e levar os outros a fazê-lo;
– ser breve e conciso;
– mostrar-se interessado e sorrir;
– tratar correctamente o interlocutor e ser simpático;
– certificar-se de que está a ser entendido pelo interlocutor;
– acompanhar as palavras com gestos;
– falar olhando sempre para o interlocutor;
– falar de forma positiva e evitar a palavra não.
Os media electrónicos são considerados, actualmente, o “segundo deus” devido à sua omnipresença e ao poder de influência sobre as pessoas. Cada veículo tem uma linguagem muito específica, mas quando se trata de televisão, a linguagem aproxima-se bastante do quotidiano das pessoas, de forma simples e directa. O candidato deve estar ciente de que está a invadir a sala de estar dos eleitores. Nesse momento, o equilíbrio e a moderação, devem fazer parte do seu comportamento, pois é como se ele estivesse a conversar com o eleitor na sua casa.
Cada dia que passa as pessoas são bombardeadas por milhões de informações e estímulos e não conseguem processar e reter todas as informações.
O que acontece é que a mente simplifica o que é recebido, aceitando apenas aquilo que interessa. A arte de se fazer ouvir, de comunicar e persuadir está na identificação do caminho mais rápido para a mente.
Publicado por margarida aires martins às maio 1, 2007 03:21 PM