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abril 26, 2007

SEMIÓTICA 1

Texto retirado de slides apresentados nas aulas

SEMIÓTICA


Conceitos elementares

1. História Básica da Terminologia da Semiótica

 Do grego semeîon > signo, sêma (sinal ou signo)
 Semiotics na forma plural do inglês é recente.
 Charles Sanders Pierce : preferia Semeiotic,
 Charles Morris também preferia a forma singular Semiotic
 O plural foi utilizado em analogias com as demais formas plurais que, em inglês, denominam ciências. Approaches


2. Precursores da Semiótica Geral

 A semiótica encontra a sua referência mais antiga na história da medicina;

 Era considerada o primeiro estudo/diagnóstico dos signos das doenças.

 O Médico Galeno de Pérgamo (139-199), por exemplo, referiu-se ao diagnóstico como sendo a parte da semiótica da medicina.
 O termo “semiôtikê” surge na linguagem platónica ao lado de “facto de saber ler e escrever” e integrando-se na filosofia ou arte, exercício da razão.
 Parece que a “sêmiotikê” grega terá tido como única finalidade a classificação dos “sinais” de pensamento a fim de os ordenar numa lógica exclusivamente filosófica. A semiologia antiga pertencia ao registo dos significados do pensamento e, por isso, apresentava-se com aquilo a que hoje chamamos “lógica formal

 Percurso do termo:
 Gregos …….. (Platão)

 John Locke (1632-1704 próximo da filosofia grega)

 Charles Sanders Pierce (1874-1914)
 Ferdinand de Saussure (1857-1913)


3. Retrospectiva da História da Semiótica - os gregos

 Para Platão :
 Signo (semeion)
 Significado (semainómenon)
 Objecto (pragma)

Trata-se de estabelecer as relações entre signo, seu significado e o facto específico.
Somente no Séc. XIX, Peirce retoma o estudo desta relação entre esses 3 conceitos
 Aristóteles utilizou várias noções relacionadas com a semiótica, como “doutrina dos signos”, “arte dos signos”, “arte dos signos”(semiotiké), “signos” (sema ou semeion), etc.

Fez suas as reflexões de Platão e elaborou uma teoria dos signos fonéticos e escritos
cuja essência consistia no facto de que nos signos “algo responde de outro algo”
(aliquid stat pro aliquo)

Já na Idade Média desenvolveu-se uma ciência dos signos, uma “scientia sermocinalis”, que envolvia a gramática, a lógica, e a retórica, e adoptava uma posição muito próxima da teoria anterior da Antiguidade

 Durante muito tempo

 Semiologia = Semiótica
 No entanto estabelecer-se-á entre os dois termos uma diferença metodológica:

 Cada Semiótica é, no domínio da Semiologia aquilo que cada Língua é dentro da Linguagem.


 Semiótica campo menos vasto

 Semiologia campo mais vasto

 SEMIOLOGIA Ciência dos sinais

Étimo : “semeion” = “sinal”
+
“logos” = “discurso”

por extensão designa Ciência


4. Formas actuais da teoria dos signos Semiologia
 Europa
 Hjelmslev, Saussure e Barthes
 Exclusão de factores sócio-culturais ou “objetividade pura”
 Análise do discurso
 Semiótica
 EUA
 Pierce (pragmatismo)
 Filosofia transcendental
contexto sócio-cultural
contexto prático
- análise do significado
- Compromisso com os nomes dados às coisas e conceitos

A Semiologia surgiu das ciências linguísticas

ciência geral dos signos, que estuda todos os fenómenos culturais como se fossem sistemas de signos, i. e., sistemas de significação

surgiu do pragmatismo americano

Tese fundamental:
a verdade de uma doutrina consiste no facto de que ela seja útil e propicie alguma espécie de êxito ou satisfação.

5. Alguns Representantes da Semiótica
 Charles Sanders Peirce : Semiotic = Ciência dos sinais

 Americano, fundador do pragmatismo, é considerado o verdadeiro pai da semiótica”

“Toda a conclusão ou racionalização é a interpretação de um conjunto de signos”

A contínua interpretação dos signos foi convertida mais tarde em uma meta teórica por Umberto Eco, com a qual ele explica os fenómenos culturais globais

Em 1867, Peirce começou a publicar as suas investigações semióticas

Enfatizou o carácter relativo dos signos, i. é, eles só existem na relação de um objecto e um intérprete

Qualificou essa relação de três componentes como relação triádica


Peirce
 Peirce utilizou o conceito de representação, i. é, a noção de que algo corresponde a outra coisa, ou trata – se, intelectualmente, como se fosse essa outra coisa
 Ex.: a luz vermelha num semáforo faz as vezes de um que polícia que manda parar o trânsito

Semiótica e Desenho

 O desenho relaciona-se constantemente com signos representativos.
 Neste ponto podemos reconhecer claramente a importância da focalização da semiótica para o desenho: o designer projecta, com um objecto, não só coisas reais, mas também imateriais. É importante, portanto, para o processo de projecto, que o designer não se limite unicamente ao uso de signos individuais. Os signos que ele utiliza devem ser compreendidos de forma correta pelo intérprete

Foi o primeiro a definir o domínio da IMAGEM sob o nome de domínio icónico
1ª definição de um universo de comunicação NÃO LINGUÍSTICA

 Na Europa:
 Na sequência das teorias saussurianas forma-se, em 1928 o Círculo de Praga:

 Nicolai Trubetzkoy = fundador da Fonologia
 (1890 – 1938)

 Roman Yakobson = iniciador das teorias linguísticas de Levi-Strauss

 Em França.

 R. Barthes, Claude Lévi-Strauss , Jacques Lacan (Estruturalistas embora tenham
pressupostos de tralho diferentes


 ESTRUTURALISMO - É uma teoria que procura (compreender) o entendimento dos sistemas sociais como modelos/estruturas.
 Existem poucos modelos em que diverge o pensamento humano. Os mesmos elementos do pensamento humano constituem - se em poucos modelos que se encontram presentes nas sociedades humanas.

 A Estrutura é a configuração dos diferentes modelos.


 O Estruturalismo baseia - se na Mitologia e no Parentesco, que constituem, assim, os pilares estruturais do pensamento universal.

 O Estruturalismo vai buscar os métodos da Linguística.

 Círculo de Praga termina por razões políticas checas em 1938. No entanto houve
grandes repercussão nos meios linguísticos mundiais e intelectuais. Muitos foram trabalhar com ele particularmente os “fundadores da linguística oficial francesa”: André Martinet e Émile Benveniste

 A Guerra Mundial provoca uma pausa.


 1940/41
 Louis Hyelmslev (dinamarquês) ataca as teorias do C. de Praga e define uma nova linguística : a “glossemática” portadora de um duplo conceito:

 Denotação/Conotação retomado 20 anos depois por Roland Barthes.
 Até este momento os estudos fonológicos não se orientam para a comunicação; só dependem da expressão de uma língua.

 Nos E.U.A.:

 Depois de Pierce e Saussure 2 professores universitários fundam as primeiras escolas de linguística americana influenciados pelas Ciências Humanas Novas: behaviorismo e sociologia:

 John Boas e Edward Sapir


6. Semiologia: Principais representantes Ferdinand de Saussure (suiço-1857-1913)
 Ciência que estuda a vida dos sinais no seio da vida social.
 Entre 1906 e 1911, Ferdinand de Saussure proferiu una série de palestras na Universidade de Genebra. Após a sua morte e com base nos apontamentos dos seus alunos, foi redigido e publicado a obra “Cours de Linguistique Générale”
 Saussure é considerado um estruturalista
 A sua obra abriu caminho à linguística no sentido de se tornar uma disciplina independente.
 Fontes de Saussure:
 Wilhelm von Humboldt (1767-1835)
 A teoria de Saussure tocava mais de perto as realidades da relação entre forma de expressão e conteúdo da expressão.
 Sofreu a influência de Augusto Comte (Positivismo) e das suas teorias pré-sociológicas.
 A exposição das teorias contemporâneas de Sigmund Freud (1856-1939) corresponde a esta precisão de escrita própria da época, a esta procura quase exagerada da clareza pedagógica da exposição.


• O conceito de cadeira e a concepção fonética das suas letras não têm relação alguma. Esta relação estabelece - se unicamente por acordo ou convenção colectivos.

Significado e Significante são entidades mentais, independentes de qualquer objecto externo…

A imagem ou o som de uma palavra não é algo material, apenas uma impressão psicológica (modelo mental) que tem sentido para nós…

 “Podemos assim conceber uma Ciência que estuda a vida dos sinais no seio da vida social”

 Que sinais?
 Os que constituem as mensagens necessárias à comunicação humana quaisquer que sejam os elementos que constituem a mensagem:
auditivos
visuais
audiovisuais
olfactivos ….
 SIGNO - Relação ( o Ref. é o objecto desta relação) entre um significante e o significado.

 É uma relação arbitrária


 SÍMBOLO - É uma comparação entre qualquer coisa Nunca é arbitrária
 A abordagem simbólica é, sobretudo, devida a Claude Lévi - Strauss, que utiliza o método linguístico que aplicou aos sistemas de parentesco e simbólico.

 Simbólico - o papel ou a função simbólica de um elemento consiste, na expressão de WalIon, num” poder de substituição significante”, “ o que estabelece uma ligação entre qualquer gesto a título de significante, e um objecto, um acto ou uma situação, a titulo de significado”.

 A) – Sinais linguísticos


 B) – Signos não linguísticos

A) – Sinais linguísticos Fonologia
Sintaxe
Morfologia
Semântica

sinais de fala ----- Unidade fónica mínima = fonema
sinais de escrita ----- unidade mínima da escrita = grafema

 Material fónico e/ou tipográfico = Significante (STE)
 O sentido da palavra = Significado (SDO)
 Objecto visado = Referente (REF)

 “arbitrariedade do signo” (para Saussure) é “ o laço que une o Significante ao Significado”.

 Línguas orientais = ideográficas. A sua “escrita” em vez de anotar sonoridades, indica conceitos (“ideias”)

 Os ideogramas nas diferentes regiões da China não se pronunciam da mesma maneira mas a sua leitura é a mesma.

 Ideograma é diferente de pictograma

 Pictograma = é uma etapa ainda pouco evoluída na esquematização de um sinal que se transformará no ideograma.

Diferentes níveis de estudo de uma língua e da fala.
 Agrupam-se em diferentes disciplinas de investigação:
 a) – fonologia
 b) – sintaxe
 c) – morfologia
 d) - semântica
 a) – fonologia
 Uma das disciplinas básicas da semiologia unicamente linguística que trata das sonoridades das línguas (fonemas) e da combinação entre si.

 Alfabeto fonético internacional

 Possibilidades combinatórias dos fonemas

 36 fonemas diferentes para a língua francesa


 b) – sintaxe
 Para uma teoria funcional são possíveis dois métodos:

Mét.analítico = Partir da unidade maior, o texto, para a dividir em unidades cada vez mais pequenas até aos seus elementos

Mét. Sintético = Partir dos elementos e construir com eles unidades cada vez maiores

 Segundo Knud Togeby (linguista dinamarquês)
 a sintaxe é uma Ciência linguística complexa que estuda:
 as estruturas frásicas das línguas ( escritas ou faladas),
 a ordem das palavras,
 a colocação dos adjectivos e complementos, variações de plurais ….
 Assim como a unidade mínima sonora é o fonema, a unidade gramatical mínima é o morfema.

 c) – morfologia
(o que antes se chamava “gramática)
Estudo linguístico do aspecto formal das palavras e das variações gramaticais ocorridas aquando das diversas operações de transformação da língua: plural, forma masculina ou feminina, neutro, qualificativo ….

- As variações gramaticais modificam :
- Aspecto das palavras
- a sua significação
- e estão ligadas às variações sintácticas

 d) – semântica
 O discurso linguístico confundiu muitas vezes semântica e semiologia
 Roland Barthes:
 “ Farei assim notar que qualquer semiologia postula uma relação entre dois termos, um significante e um significado. Esta relação incide sobre objectos de ordem diferente e, é por isso, que não é uma igualdade mas uma equivalência.”

Semiologia procura encontrar as relações entre os significantes e os significados

Semântica Só se interessa pelos significados
Perante um discurso semiológico não podemos deixar de incluir nele a semântica; mas o inverso não é válido (POLÍTICA)


B) – Signos não linguísticos
 Redes de comunicação menos empregues e que constituem meios de expressão utilizados na comunicação humana:
 - olfactivos
 - tácteis
 - gustativos
 - gestuais ou quinésicos
 - auditivos
 - audio-visuais
 - icónicos


Roland Barthes

 Os signos linguísticos não são unicamente sons físicos, são também impressões psíquicas.
 O desenvolvimento dos media implicou a necessidade de uma Ciência Semiológica

 primeira ordem de significação
 Denotação;
 Significação óbvia; senso comum;
 Campo objectivo

 segunda ordem de significação
 Influências dos valores, emoções à cultura;
 Campo subjectivo e inter-subjectivo;
 Conotação + Mito +Símbolos


• Conotação
- Interação do signo com os valores, as emoções e a cultura;
- Campo subjetivo e inter-subjetivo;
- Significação de segunda ordem do significante

 Símbolo
 O significado é adquirido por convenção ou uso e pode representar algo distante do objecto

Umberto Eco

Umberto Eco ( nascido em 1932) contribuiu para várias áreas da semiótica teórica e aplicada:
 - estruturalismo à semiótica textual;
 - semiótica como uma teoria da cultura;
 - “teoria dos códigos”;
 - visão do campo semiótico.
Eco definiu a semiótica como um programa de pesquisa que estuda todos os processos culturais como processos de comunicação. Para ele, a cultura pode ser estudada sob uma perspectiva semiótica , mas as entidades culturais podem ser consideradas de pontos de vista não-semióticos.

Segundo Eco, a semiótica preocupa - se com tudo o que pode ser tomado como signo. Um signo é tudo aquilo que pode ser tomado como substituindo significativamente outra coisa.

Código e cultura

A semiótica para Eco é o estudo de códigos e um código tem a sua base numa convenção cultural: semiótica é, portanto, o estudo sígnico da cultura. Para Eco não há diferença entre a semiótica e uma semiótica da cultura, pois os fenómenos estudados por Eco (da arquitectura, da arte, da poesia, da literatura trivial, da língua e até da publicidade) são todos fenómenos culturais.


 Definiu “quinésica” como conjunto significante da gestualidade socializada e deu o nome de “quinema” à unidade significativa mínima.
 Sistemas de comunicação auditiva:

Os fenómenos “selvagens” = Escapam à taxinomia linguística;são, muitas
vezes, denominados pelos linguistas com uma palavra um pouco pretensiosa: arquifonemas

Sons naturais = Constituem uma grande rede de comunicação auditiva
e dão informações na vida quotidiana. São os “ruídos” que nos rodeiam e
que podemos gravar e, portanto, “culturalizar”

Sonoridades culturais = São produzidas pelo homem com diversas
finalidades.


Publicado por margarida aires martins às abril 26, 2007 11:21 PM

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